Monday, June 11

Dia da criação

Quem precisa do domingo? (Ô dia infrutífero esse). Já acordo de mal humor. Aquela lembrança desagradável que inevitavelmente surge. Será que sou o único? Aquela lembrança melancólica que vai influenciar seus pensamentos e ações todo o dia. A verdade inevitável que se aproxima irreparavelmente em sua direção e te faz inquietar ainda na cama.

O fim de semana entra no seu dia derradeiro e, como provocação, te apresenta uma cidade despovoada e triste, fazendo-se descobrir pelo lamento dos pássaros e das árvores que conseguimos ouvir tão nitidamente nesses dias.

Qualquer negação é inútil. Não consigo evitar o fardo que me traz esse entardecer. Tudo ganha uma conotação efêmera.
Às vezes consciente, me obrigo a aproveitar da melhor forma possível cada instante que me resta, mas nunca o consegui. Nessa minha natureza humana eternamente insatisfeita sempre poderia ter saído melhor.

Que então se inicie o escapismo.

Algo que me faça transportar, me desligar, ir a um outro nível. Que demande toda a minha atenção e que me faça esquecer... que não me permita lembrar o emaranhado que tentarei desatar no dia seguinte.

Que venha o cinema.
Que venha a música.
Que venham as letras, as pessoas, o amor.

Necessito de alguém para culpar, ou algo, ou ao menos o dia. Para me desviar. Para não racionalizar que com o passar dos anos desaprendi a buscar prazer em tudo... sempre.

Com sua bênção seu Vinicius de Moraes, mas, domingo é o dia da criação.